Compositor/membro da Liga Canadiana de Compositores, maestro e professor, cuja peça "Groupes III" será estreada em Outubro em Lisboa (O'culto da Ajuda); está Em Foco no MIC.PT em Julho.
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Categoria Musical Música de câmara (de 2 a 8 instrumentos)
Instrumentação Sintética Oboé e Violoncelo
Estreia
Data 1998/Dec/15
Localidade Matosinhos
País Portugal
Notas Sobre a Obra
A frase “Le blanc souci de notre toile”, título desta obra, corresponde, também, ao último verso do soneto Salut de Mallarmé. Esta frase é aqui tomada como uma metáfora na medida em que pode simbolizar o momento dramático do criador face ao papel em branco que há que preencher. Apesar das múltiplas relações existentes entre este soneto e a obra musical procurou-se que aparentem uma forma bastante livre sem qualquer tipo de compromisso de carácter programático.
Situa-se, também, numa das vertentes de preocupações latentes em algumas das minhas obras: uma austeridade, diria, máxima; a ausência quase total de efeitos ou técnicas que desviem o ouvinte da escuta do som típico do instrumento; a intromissão do silêncio como elemento gerador, ou estruturador, de espaços: entre eles, um espaço “real” na medida em que é dado um tempo para que os sons interajam com o espaço circundante, espaço “virtual”, uma vez que esta extrema rarefação permite ao ouvinte um lugar para a sua própria imaginação.
Le blanc souci de notre toile é dedicado à Ana cujo companheirismo ao longo destes últimos anos se tem revelado insubstituível, ao Manuel Dias da Fonseca pelo seu empenho na existência da obra e, finalmente, aos seus intérpretes pois é deles a difícil missão de tornar meras páginas escritas em sons que nos tocam.
António de Sousa Dias
Outubro de 1998