Apesar da forte conotação enquanto objeto de valor histórico ou cultural, digno de pertencer a um museu, o termo “artefacto” designa qualquer utensílio produzido pelo ser humano. No caso de um “artefacto digital”, trata-se de uma alteração acidental da informação, inserida por uma determinada técnica ou tecnologia num processo de transformação. As anomalias visuais num vídeo ou imagem, provocadas por sinal fraco ou lapso na sua transmissão, são exemplos de artefactos digitais.
Artefacst é um autorretrato sonoro, uma captura breve do meu imaginário musical e da sua interação com os ruídos exteriores que escuto diariamente. Na eletrónica surgem captações de paisagens metropolitanas, motores e veículos, eletrodomésticos, alarmes, artefactos auditivos do nosso quotidiano. Os músicos, por sua vez, utilizam instrumentos concebidos especificamente para a emissão sonora, produtos de centenas de anos de evolução e aperfeiçoamento acústico.
A obra é um fluxo contínuo de breves atmosferas e eventos, que exploram a dicotomia entre instrumentos e máquinas (ou a sua ausência). Artefacst tanto ilustra uma simbiose entre o ensemble e a eletrónica, como o caos ou a indeterminação introduzidos pela manipulação e mutilação do áudio digital. Se no início a sonoridade é subtil e enigmática, o final é uma disputa febril entre os instrumentos e os sons distorcidos e computadorizados que escapam dos altifalantes.