Categoria Musical Música de câmara (de 2 a 8 instrumentos)
Instrumentação Sintética septeto de percussão
Data 2024/Dec/30
Intérpretes
Bernardo Ramos, Tomás Santos, João Pinheiro, Isaque Andrade, Beatriz Alberto, Francisco Teixeira e Gustavo Silva (percussão)
Miquel Bernat (direção)
Entidade/Evento 5.º Festival Itinerante de Percussão
Local Conservatório de Música Calouste Gulbenkian
Localidade Braga
País Portugal
Stone Skipping, para septeto de percussão, é sobre o jogo de atirar seixos sobre a superfície da água. Este jogo sempre me fascinou, mesmo sendo algo tão simples, pois há uma certa beleza em observar o seixo saltar sobre a água, pelo som que faz ao tocar na sua superfície, pelo ritmo que se desenha tanto no plano auditivo como no visual e pelo caminho que traça até desaparecer.
O movimento de um seixo que bate várias vezes sobre a água, começando com saltos mais longos e depois mais curtos antes de se afundar, faz-me refletir sobre ritmos orgânicos. Outro aspecto interessante é o movimento rotativo do seixo, visto que ao lançá-lo, é necessário escolher um ângulo baixo e aplicar rotação para que ele possa ressaltar na água. Estes movimentos do corpo em relação à água, e sobre si mesmo, levaram a criar estruturas rítmicas combinadas, gestos musicais, que por vezes também são físicos e visíveis, e outros menos visíveis, como aquele que não vemos, o do seixo a afundar-se na água.
Stone Skipping não procura seguir uma narrativa linear ou ilustrar diretamente o processo do jogo. A peça explora, antes, conceitos que estão presentes no jogo como a repetição, a variação dos saltos e imagens e sensações associadas ao movimento fluído dos seixos sobre a água.
Solange Azevedo