I. Animato · 6:06
II. Larghetto · 6:36
III. Strepitoso · 4:41
Escrito em resposta a uma encomenda da Artway para o projecto BEYRA, este meu segundo concerto para violoncelo foi pensado e concebido para ser estreado por
Filipe Quaresma (à semelhança do primeiro, composto em 2017).
Confirma-se, assim, a minha afinidade não apenas com o instrumento em si, mas também com um solista que tanto admiro e cujo trabalho venho acompanhando desde os tempos em que ambos frequentávamos estudos de pós-graduação na
Royal Academy of Music, na cidade de Londres.
Noutros concertos que compus para diferentes instrumentos, reparo que privilegiei estruturas de um ou dois andamentos apenas, porventura procurando evitar fórmulas que habitualmente associamos a este tipo de obra. Contudo, nos dois concertos para violoncelo optei por uma estrutura de três andamentos e, também em ambos, não recorri a qualquer ideia extramusical (como sucedeu, por exemplo nos concertos que escrevi para clarinete ou para saxofone).
Mas existem diferenças, naturalmente, a começar pela dimensão instrumental — no primeiro caso, uma orquestra sinfónica; no segundo, um conjunto de câmara alargado. Procurei, também, encontrar soluções diferentes na forma de estabelecer diálogos entre o solista e o tutti e, também, no tipo de gesto que caracteriza cada andamento. Aqui, por exemplo, a música começa com um motivo de ataques — ressonância (por oposição a uma sonoridade de cordas em
sotto voce que iniciava o primeiro concerto). E, no final, a energia acumulada no ensemble e na parte solista transporta-nos para um tipo de tensão em tudo diferente das sonoridades aquáticas e ressonantes que concluíam/diluíam o último andamento do anterior concerto.
São, portanto, duas partituras complementares em muitos aspectos, mas com gestos e características particulares, conferindo-lhes expressões diferentes e permitindo-nos apreciar a grande versatilidade e qualidades únicas de
Filipe Quaresma.
Luís Tinoco, Kokyuu (2025)