Em foco

Miguel Azguime


Foto: Miguel Azguime, Julho/ Agosto de 2020 · © Paula Azguime

Entrevista do MIC.PT

· Descreva as suas raízes familiares, culturais e sonoras/ musicais, destacando um ou vários aspectos essenciais para a definição e a constituição de quem é no tempo presente. ·

Miguel Azguime: A minha avó materna tinha formação musical e tocava piano (e também escrevia poesia) e com os meus pais desde muito novo frequentei com regularidade concertos da denominada música clássica e também em minha casa ouvia-se diariamente música antes e depois do jantar. Deliberadamente não havia televisão, de maneira que a maior parte dos serões, quando não havia convidados, aconteciam ao som da música, de todos os períodos, mas do século XX a história parava em Bartók e Shostakovich. Da segunda metade do século XX nada se ouvia.
Comecei muito cedo a minha formação musical (com quatro ou cinco anos, não me lembro ao certo), mas quando cheguei à adolescência quis procurar outras músicas que até aí não me tinham sido dadas a ouvir e foi o tempo da descoberta da música denominada contemporânea (2.ª Escola de Viena e depois Messiaen, Varèse, Stockhausen, Boulez, etc.) e da música electroacústica (concreta e electrónica) mas também do rock ‘n’ roll, do jazz, das músicas extraeuropeias, fosse africana, árabe, indiana, balinesa, chinesa, japonesa, etc. As músicas extraeuropeias trouxeram-me aliás outra maneira de ouvir e de sentir e percebi que, ainda que eu pertencesse incontornavelmente a uma cultura musical específica que é a música de invenção e pesquisa europeia, esta mesma música por mais extraordinária que seja é apenas uma entre muitas outras culturas musicais que existem, e que têm igual valor.
Hoje recuso qualquer ideia de música universal e hegemónica. Talvez o aspecto mais relevante da minha formação desde a minha infância até ao momento em que decidi dedicar a minha vida à música (no final da minha adolescência) tenha sido a diversidade do que pude ouvir e a diversidade das experiências musicais que pude ter (do barroco ao free jazz, da escrita à improvisação, e o deslumbre e exaltação que tive perante as novas sonoridades que me ofereceu a nova música que fui pouco a pouco descobrindo, nomeadamente através da minha primeira ida aos cursos de verão de Darmstadt). Num dado momento soube exactamente que caminho queria percorrer, numa descoberta permanente da qual não conheço ainda o destino.

· No tempo presente, quais são as suas preocupações artísticas principais? ·

MA: Perseverar na invenção do presente para descobrir o futuro e tentar construir dentro desse processo o meu melhor contributo, tendo em conta a história, a minha história, a condição humana, a minha condição de compositor.

· O seu caminho percorre de acordo com um plano, por exemplo sabe que daqui a «x» anos vai cumprir os objectivos «y»? Ou acha a realidade é demasiado caótica para poder criar tais determinações? ·

MA: O «caminho» não é definido por objectivos concretos, mas sim por aspirações e ideais, e pela nossa «compreensão» do mundo a cada momento, e portanto, constrói-se com um impulso criativo que responde a necessidades do aqui e do agora, que por sua vez se inserem num espaço sem limites e num tempo sem fim, que tudo e todos incorpora.

· Frequentemente defende a existência de um aspecto místico na criação artística. Na Entrevista dada ao MIC.PT em 2016, compara o processo de composição a uma «viagem iniciática»1 que sujeita o compositor a uma transformação... Poderia elaborar como o «místico» se exprime na sua criação e se, neste sentido, convida também o público para esta «viagem iniciática»? ·

MA: O «caminho» de que acima falei, ou a «viagem iniciática» que a pergunta retoma de uma entrevista anterior têm o mesmo sentido. O misticismo de que falo em relação com a arte e neste caso com o meu trabalho composicional nada tem de religioso, mas refere-se sim ao sentido etimológico da palavra. Na sua origem significa algo secreto e escondido que apenas é acessível ao iniciado. Mais tarde, no Novo Testamento, o místico é descrito como aquele que «fecha os olhos e a boca para poder experimentar e aceder ao mistério». Tem também origem nos ritos Órficos da antiguidade grega que preconizam uma total devoção, e os quais são personificados por Orfeu, poeta e músico.
Assim quando faço referência a um artista criador como a um místico, entendo-o de várias maneiras em correspondência com o que acabo de dizer: primeiramente como um caminho de total dedicação à arte (como única forma aliás de conduzir a indagação artística até às ultimas consequências e também como única forma de resistir à «contaminação» das ideias que não nos são próprias); depois, se essa indagação for conduzida sem desvios e com honestidade, ela constitui efectivamente uma descoberta com propriedades transformadoras para quem descobre mas também com propriedades transformadoras para quem ouve ou seja para quem profundamente contempla e assim também percorre a viagem «fechando os olhos e a boca para poder aceder ao mistério» (que é o que faz aquele que quer ouvir atentamente); mais ainda: a arte musical não é uma linguagem fácil e exige daquele que a pratica preparação e imenso labor para aceder ao que por vezes parece estar escondido. Finalmente, a melhor arte musical tem sido capaz de combinar de forma única, inteligência e emoção, podendo conduzir a estados de unidade e totalidade connosco próprios, eventualmente próximas dos relatos dos místicos religiosos que atingem a comunhão com o absoluto.

· Recentemente, tem criado várias peças para instrumentos solo (com electrónica) numa colaboração próxima com músicos portugueses – virtuosos e virtuosas de flauta, flauta de bisel, clarinete baixo, saxofone, piano ou viola... Quem são para si os/as executantes da sua música? ·

MA: Os executantes da minha música, são pessoas de quem admiro as qualidades musicais e técnicas, e que têm a generosidade para dedicar trabalho suplementar às solicitações que faço nas partituras, que porventura exigem mais tempo e esforço. São também músicos que me ajudam a descobrir o meu caminho, que muitas vezes me ensinam e que, pelas suas competências, me motivam a ir mais além.

· Como poderia descrever o timbre da sua música? ·

MA: Para mim o timbre encontra-se no interior da música e não fora dela. Ou seja, o timbre não é uma ideia exterior de um qualquer tipo de som que eu quisesse ou gostasse de ouvir, mas sim o próprio material da música a partir do qual as operações composicionais são desenvolvidas. Assim por exemplo, nunca escolho este ou aquele instrumento por causa do seu «timbre» (o «timbre» de uma flauta ou de um clarinete, etc. – aqui propositadamente entre aspas para distinguir os conceitos), antes pelo contrário: é o timbre deste ou daquele instrumento (entenda-se as propriedades acústicas intrínsecas de cada instrumento) que dita as operações e desenvolvimentos da composição. Parece paradoxal, mas quando falo de timbre falo das propriedades do som enquanto elemento estruturante da invenção e do desenvolvimento musical. Assim descrever o timbre da minha música corresponderia a descrever o material musical de uma peça, o que é impossível fazer fora da própria música.

· Na Entrevista dada ao MIC.PT em 2016 o compositor João Madureira disse que «a música é filosofia, é política, e que, por sua vez, é uma forma de habitar o mundo»2. Sente proximidade com esta afirmação? ·

MA: Imagino que aqui «música» signifique criação musical e assim sendo sinto-me muito próximo desta afirmação. Para mim arte é pensamento e desde logo filosofia e, portanto, a arte musical é uma forma de pensar o mundo... e a música que não pensa não é arte! Quanto à arte musical ser política, claro que sim, pois se é uma forma de pensar e habitar o mundo no seio de uma comunidade, só pode ser política. Aparentemente a arte parece ter pouca expressão política, porque a curto prazo, devido aos meios que usa e à forma como é comunicada, não tem «poder». Contudo a médio e longo prazo o seu «poder» é imenso, pois a forma como é capaz de pensar o mundo permite-lhe reinventar o mesmo e construir uma identidade cultural que todos configura. Ao longo da história as transformações que promoveu e a legitimidade do seu pensamento influenciou de forma determinante toda a humanidade.

· Existe na sua produção um lado interventivo forte, por exemplo – o “Itinerário do Sal” (2006) alude à solidão do artista na sociedade; a ópera “A Laugh to Cry” (2013) é um «grito» para chamar atenção a uma necessidade urgente de redefinir os valores da sociedade (pós)capitalista; uma das suas obras mais recentes, “NÃO! – Concerto para marimba e orquestra” (2019; estreada no Brasil …), junta-se ao apelo para cessar a desflorestação descontrolada do planeta... «Provocar, intervir, chamar atenção...» é, na sua opinião, uma das responsabilidades principais dos compositores e das compositoras? Acha que em Portugal falta na música este lado interventivo? ·

MA: A arte musical apenas se pode pensar no território específico da sua linguagem e como tal a sua capacidade de intervenção imediata e directa é limitada (não obstante o poder que pode ter como acima referi). Contudo é sempre possível, mesmo dentro de uma linguagem abstracta, intervir para defender qualidades, apontar defeitos, criticar, valorizar, provocar, mudar o mundo! Cada criador, pretendendo fazê-lo, saberá da melhor estratégia para o realizar. Um caso à parte constitui naturalmente a música que se faz valer da palavra!
Mas completando o início desta mesma resposta, do meu ponto de vista, a maior intervenção é sempre de ordem estética (mesmo que possa ser complementada com outro tipo de intervenções) e desse ponto de vista em Portugal, depois de um certo fulgor inventivo e inovador no início deste século, arrepiou-se caminho, com um grande número de criadores à deriva e sem rumo.

· O humor faz parte da sua música? Em caso afirmativo, como o mesmo se exprime na sua criação e quais são as características que lhe pode atribuir? ·

MA: No meu caso o humor apenas aparece com a presença de textos ou de acção teatral e como tal não existe na própria música. Mas nas peças em que tal é possível tenho por vezes recorrido deliberadamente ao humor, ou mais exactamente à sátira, como forma complementar de comunicação, o que se exprime muitas vezes através de algo surpreendente ou inesperado.

· Quando assume plenamente as técnicas espectrais e microtonais na sua linguagem? Quais são o factores que o atraem no espectralismo? ·

MA: A minha formação, em termos de escrita composicional (para além da grande música do passado), teve três ascendências principais: o serialismo, a música concreta e o espectralismo, o qual de alguma maneira permitiu conceptualmente conciliar as duas anteriores.
Quando falo de espectralismo não me estou a referir estritamente à escola espectral francesa (ainda que tenha estudado com Tristan Murail em Paris) mas sim ao que denomino como o «entendimento espectral» do fenómeno sonoro e as consequências que daí retiro para a escrita composicional. Esta maneira de entender o fenómeno sonoro permitiu-me integrar num mesmo plano todo o tipo de sons (e, por conseguinte, também todo o tipo de processos de produção sonora: instrumentais, concretos, electrónicos, ...) e de combinar técnicas de escrita aparentemente contraditórias.
Este «entendimento espectral» é particularmente abrangente, concepção alargada do que é som e música e incorpora potencialmente «músicas» diferentes e portanto, não tem só por si, implicações estéticas. Enquanto entendimento é também escuta e carrega consigo não apenas outra forma de compreender a música, mas também outra forma de ouvir. A microtonalidade sendo intrínseca a todo o timbre, e o timbre constituindo-se como o principal paradigma da música que escrevo, o desenvolvimento da microtonalidade na minha música é, por conseguinte, uma consequência inevitável e coerente deste mesmo entendimento do fenómeno sonoro e da sua organização em música.

· Em que medida, os novos instrumentos electrónicos e digitais abrem para si novos caminhos e quando os mesmos se tornam constrangedores? ·

MA: Há que considerar dois tipos de instrumentos electrónicos e digitais: aqueles que produzem som (ou seja, os instrumentos musicais propriamente ditos) e aqueles que permitem uma representação simbólica da música e a sua consequente manipulação. Poucas vezes tenho utilizado instrumentos musicais electrónicos, mas os instrumentos de representação musical e os instrumentos de cálculo, cujo paradigma pode ser o computador, desempenham um papel fundamental na forma de pensar e de compor a música que escrevo. Associado aos instrumentos de análise do som, o computador permitiu-me construir um ambiente de trabalho específico às minhas necessidades estéticas e tornou-se uma ferramenta incondicional, na qual não encontro quaisquer constrangimentos e que me possibilita desenvolver sistemas lógicos que acompanham passo a passo o desenvolvimento da minha contínua exploração composicional.
Adicionalmente, permite uma intertextualidade entre disciplinas (em especial entre a poesia e a música) que em grande parte viabiliza a forma como conduzo os trabalhos pluridisciplinares que realizo, nomeadamente as obras cénicas e as óperas.

· Em que sentido a invenção e a pesquisa constituem para si elementos indissociáveis da criação musical e, em geral, da Arte? ·

MA: A Arte é, por definição, uma invenção para percorrer e explorar o mundo sensível de forma inteligente e comunicativa. Tal invenção implica necessariamente uma exploração e uma pesquisa aturadas, se efectivamente quisermos comunicar algo de relevante e único. Caso contrário mais vale ficar calado.

· Como escuta a música? É um processo mais racional (analítico) ou emocional? ·

MA: Eu escuto a música, tal como os místicos de que falava anteriormente, «fechando os olhos e a boca para poder aceder ao mistério». Esse mistério é uma reunião de fenómenos diversos: acústicos (portanto físicos), psicoacústicos, racionais, emocionais, culturais, etc.; que justamente por ser mistério não me é possível definir... um absoluto de vida num determinado momento!

· Prefere trabalhar isolado na «tranquilidade do campo» ou no meio do «alvoroço urbano»? ·

MA: Não prefiro... preciso dum isolamento total para compor sempre que começo uma nova obra!
E não é indiferente ser no campo ou na cidade, eu prefiro a tranquilidade do campo, mas o mais importante é mesmo o isolamento, o que quer dizer não ser interrompido, não haver interferências, não haver «perturbações». Neste tempo em que todos estamos sempre ligados... eu desligo deliberadamente nesses momentos!

· Como a pandemia alterou a sua vida como compositor, performer e director artístico da Miso Music Portugal e do O’culto da Ajuda? Não poder participar em ensaios, concertos, na organização de espectáculos, deve ser uma sensação estranha... ·

MA: Enquanto compositor, a alteração no imediato foi insignificante (para além da preocupação, desassossego e ansiedade desta situação, fatal e dramática para muita gente com mortes e tragédias humanas gravíssimas por todo o planeta); pois com a ausência das demais actividades (que são muitas) fiquei com mais tempo para compor e isso permitiu-me desenvolver e terminar vários projectos de composição que estavam em curso e também dedicar tempo a concluir assuntos pendentes (nalguns casos desde há anos).
Enquanto performer foi um desastre pois todos os espectáculos foram cancelados, e os que, entretanto, foram remarcados permanecem envoltos em incerteza.
Enquanto director artístico da Miso Music Portugal e do O’culto da Ajuda foi ainda mais desastroso pois a actividade foi toda interrompida, e ainda que estejamos a reprogramar a maior parte do que estava previsto, algumas coisas perderam-se irremediavelmente. É para mim também um sofrimento ver colegas que estavam directamente implicados nas nossas actividades em dificuldades e não lhes poder valer como gostaria.
E há ainda alguma apreensão em relação ao que acontece apenas on-line e em live-stream, que deixa uma sensação amarga e de profunda insatisfação, não obstante todo o entusiasmo e toda a energia que conferimos a essas iniciativas.

· Poderia revelar em que está a trabalhar neste momento e quais são os seus projectos artísticos planeados para 2021, 22...? ·

MA: Terminei há um mês uma obra para 12 vozes a cappella, encomenda da Fundação Ernst von Siemens, que será estreada pelo ensemble vocal austríaco Cantando Admont nos dias 17 e 18 de Outubro em Graz e Viena respectivamente e que depois será apresentada em Lisboa no dia 23 e estou presentemente a escrever um triplo concerto para clarinete, violoncelo, piano e orquestra, que será a minha homenagem a Beethoven, uma encomenda da Fundação Centro Cultural de Belém, que será estreado no dia 15 de Dezembro no CCB por solistas do Sond’Ar-te Electric Ensemble e pela Camerata Alma Mater sob a direcção de Pedro Neves.
Estou também a preparar um novo espectáculo de poesia sonora que terá a sua estreia no início de 2021 no Teatro da Rainha em Caldas da Rainha. Para além disto, para o próximo ano, tenho já planeado e delineado duas novas obras para instrumentos solo com electrónica, e ainda um duo para violoncelo e piano. Em preparação está também uma nova Op-Era, que terá um carácter de intervenção e que será um «grito» em defesa dos povos indígenas que ainda existem no planeta e que se encontram sinistramente ameaçados.

· Se não tivesse seguido o caminho de artista – compositor, performer e poeta –, quais poderiam ser os caminhos alternativos? ·

MA: Esta decisão de vida foi tomada cedo, com 16 anos e levou-me à saída precoce de casa dos meus pais, ainda menor, com 17 anos e sem ajudas. Tive de construir o meu caminho, sem padrinhos nem concessões. A não ser que a isso fosse obrigado pela força, para mim não há outro caminho. O meu ser confunde-se integralmente com o que crio... e se tivesse de voltar atrás? Voltaria a fazer o mesmo!

· Numa das entrevistas recentes o compositor austríaco Georg Friedrich Haas disse que «os criadores da nova arte agem como fermento na sociedade»3. Qual é, na sua opinião, o papel que a música de arte desempenha na sociedade e como é possível aumentar a importância e o impacto deste papel? ·

MA: A música de arte, tal como toda a arte digna deste nome, é criada por grandes inventores e descobridores que levaram e levam a sua indagação até às últimas consequências, ultrapassando muitas vezes o seu tempo e a sua cultura, alargando a nossa sensibilidade e o nosso conhecimento sensível do mundo e da vida. A arte em nada é acessória (ao contrário do que muitos pensam) e apresenta-se sim como fundamental à condição humana, numa manifestação estética e comunicativa que caracteriza o ser e toda a história da humanidade, a qual ao longo dos tempos a grande arte fez avançar. A arte é uma sublime e extraordinária combinação de percepção, emoção, pensamento, ideias e inteligência, sem equivalente. É pela capacidade criativa que construímos e inventamos o nosso futuro.
Considero que a criação em geral e a artística em particular, são pela inovação e descobrimento que motivam, a chave da capacidade de evolução da humanidade. E considero ainda da maior importância, e mesmo vital, que a arte, em sociedade, e fora dos interesses económicos e de mercado, possa ser desenvolvida no sentido de assegurar essa evolução para o bem de todos à escala global. A criação artística tem efectivamente virtudes geradoras e regeneradoras inerentes à própria humanidade. O seu papel é tanto mais relevante no ambiente de crise profunda de ordem filosófica e civilizacional que hoje atravessamos e julgo até que a arte e a criatividade constituem uma ponte crucial e privilegiada para ultrapassar esta mesma crise que a humanidade atravessa pois constitui-se como um verdadeiro modelo de pensamento civilizacional.

· Em termos estéticos e técnicos, a história da música de arte ocidental está cheia de nascimentos, rupturas, mortes, renascimentos, continuações, descontinuações, outras rupturas e por aí fora... Num exercício de «futurologia», poderia desenhar o futuro da música de arte ocidental? ·

MA: Não julgo que seja possível fazer «futurologia», mas acredito muito profundamente na capacidade regeneradora das novas gerações, e espero que as suas propostas presentes e futuras sigam os melhores exemplos do passado e saibam dar resposta aos novos desafios e contextos que toda a contemporaneidade traz consigo, ou seja dar resposta positiva, responsável e solidária ao tempo presente.

Miguel Azguime, Julho/ Agosto de 2020
© MIC.PT


1 Entrevista a Miguel Azguime, conduzida pelo MIC.PT em Julho de 2016 e disponível em: >> ligação.
2 Entrevista a João Madureira, conduzida pelo MIC.PT em Outubro de 2016 e disponível em: >> ligação.
3 Entrevista a Georg Friedrich Haas, conduzida por Filip Lech em Junho de 2020 e disponível on-line no portal Culture.pl: >> ligação.